Araraquara registra uma média de 50 casos por mês, segundo os Conselhos Tutelares
publicado em 03/07/2012 09:54 | Patricia Piacentini

Violência entre alunos ou casos envolvendo jovens ou crianças que agridem professores aparecem com frequência nos noticiários.  Segundo dados dos Conselhos Tutelares I e II de Araraquara, são registrados cerca de 50 casos de violência escolar todos os meses.
A psicóloga Andréa Theodoro Toci Dias, doutora em Educação Escolar e coordenadora do Centro de Psicologia Aplicada da Unip, esclarece que não se pode isolar apenas uma causa para explicar a violência nas escolas. “É importante entender que a escola é uma parte da sociedade como um todo e se esse comportamento aparece na escola é porque essa instituição está inserida em um contexto maior de violência também”, diz a psicóloga. “É necessário que a escola se autoavalie continuamente, para perceber se há mecanismos de sua rotina que incentivam a violência”, alerta.
 E essa violência não é necessariamente física, de acordo com Andréia Sampaio, diretora do colégio Neruda. “Ela pode ser psicológica, moral e social. Como educadores, buscamos sempre as razões que a provocam, a fim de conseguirmos evitá-la. Outras causas, como a intolerância religiosa, étnica e cultural também podem resultar em atos de violência, repudiados por todos nós”, declara. Segundo ela, a escola é uma extensão e reflexo da sociedade. “É muito difícil dizer a um aluno que sofre violência física em casa que esta não é a melhor solução para seus problemas. Por isso, temos que construir um ambiente escolar saudável, de cooperação, muito mais do que de competição. O engajamento dos pais é fundamental”, defende.
A doutora em Educação Escolar da Unip enfatiza que a agressividade dos jovens ou crianças pode ser entendida, muitas vezes, como um apelo por educação. “As sociedades modernas são complexas e é muito difícil saber como agir e se comportar. Decisões são exigidas de todos, durante todo o tempo, e os sentimentos de confusão, irritabilidade, baixa autoestima podem decorrer dessas exigências constantes”.  Segundo ela, “a escola e a família precisam manter-se sempre como interlocutores dos jovens, ajudando-os a buscar soluções, a pensar e resolver situações”.
CONSELHEIROS TUTELARES – A violência, segundo os integrantes do Conselho Tutelar, acontece tanto em escolas públicas quanto particulares e os bairros com maior incidência, em Araraquara, são São Rafael, Oitis, Hortênsias e Parque São Paulo. Para combater esses casos, os conselheiros realizam um trabalho de prevenção, com palestras voltadas para educadores, alunos e família.
Quando o Conselho Tutelar é acionado, eles conversam com a direção da escola, realizam visita domiciliar e fazem o encaminhamento do aluno aos centros de referência da cidade, que oferecem uma estrutura com profissionais como assistente social e psicólogo. “Verificamos casos de vandalismo, depredação e agressão a professores”, exemplifica Manoel Nunes, conselheiro tutelar. As causas para a violência são decorrentes, principalmente, do núcleo familiar do aluno. “Muitas vezes, os familiares têm problemas com alcoolismo, drogas e isso se reflete na escola”, observa Valter Fraga, conselheiro tutelar.
O Conselho Tutelar II atende a Vila Xavier e adjacências e o Conselho I atende o Centro e todos os bairros. Para entrar em contato, basta telefonar para (16) 3305-5600 ou 3305-3070.
 

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