Petlik é absolvido e Gustavo condenado a 30 anos de prisão

Petlik é absolvido e Gustavo condenado a 30 anos de prisão

Gustavo foi acusado de crime hediondo, mas o médico foi considerado inocente

O médico Haroldo Petlik é absolvido por júri popular

O médico Haroldo Petlik é absolvido por júri popular

Depois de dois dias de julgamento, o médico Haroldo Petlik foi absolvido pelo júri popular, nesta quinta-feira (28). Ele estava sendo acusado de ter mandado matar sua esposa, a professora Suzana Petlik, em 1994.
Além dele, também era réu no processo, Gustavo de Alcântara Faria, que era acusado de executar o homicídio. Gustavo foi condenado. O juiz impetrou sentença de 30 anos, em regime fechado. O crime foi considerado hediondo, por ter tido emprego de recurso que não permitiu reação e crueldade. O mandado de prisão já foi expedido e como Gustavo não esteve presente no tribunal – foi julgado a revelia – é considerado um foragido da Justiça.
De acordo com a advogada de Gustavo, Josimara Veiga Ruiz, o condenado mora em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e não compareceu ao júri porque não conseguiram encontrá-lo para entregar a intimação. “Foram atrás dele na casa, mas não o acharam e não foram nem ao local de trabalho nem a outros endereços passados por ele de locais onde ele poderia estar”, diz a advogada, que foi indicada pelo Estado para defender o réu.

Advogado de defesa José Luiz Mendes de Oliveira

Advogado de defesa José Luiz Mendes de Oliveira

FIM DE CASO – O julgamento terminou às 22h30 e muita gente esperava Petlik do lado de fora do Fórum. O médico Haroldo Petlik saiu abraçado com os filhos e disse apenas que estava aliviado. Não quis se manifestar a respeito do julgamento alegando que estava cansado.
O advogado de defesa de Petlik, José Luiz Mendes de Oliveira Lima afirmou à imprensa, que a decisão do juri é soberana e que o desfecho do julgamento é muito significativo, pois somente agora a família vai seguir a vida. Quanto ao resultado, foi bem direto. “Houve uma total ausência de provas contra meu cliente”, resumiu. Ao ser questionado sobre a pena de Gustavo, disse que só comentaria o que diz respeito a seu cliente.
A advogada de Josimara Veiga Ruiz, que defendeu Gustavo Alcântara Faria disse que pretende recorrer da sentença que condenou o réu a 30 anos. “Foi uma pena acima do necessário, vou fazer uma análise técnica e devo recorrer da sentença”, adiantou.
Na opinião da advogada, o depoimento gravado das três mulheres que alegaram ter ouvido Gustavo dizer que tinha matado uma professora em Araraquara teve peso na decisão do juri, no entanto, ela alega que o vídeo foi anexado ao processo fora do prazo legal pela Ministério Público. “Vou pedir a impugnação da juntada desses documentos”, afirmou.
Ela disse ainda que Gustavo foi intimado por edital, em Campo Grande, onde ele estaria morando, mas ela desconhece seu paradeiro. “Nunca conversei com o Gustavo. Fui designada para a sua defesa e só conheci os autos em fevereiro.”
O Promotor de Justiça Herivelto de Almeida disse que se tratava de um caso muito difícil, por causa do tempo que se passou desde o crime. Ainda de acordo com o promotor, a conduta familiar de comoção influenciou na decisão do júri de absolver Petlik. “A parte emocional contou muito”, disse. 
Almeida declarou ainda que vai analisar a possibilidade de recurso da sentença que inocentou o médico.

Promotor Herivelto de Almeida

Promotor Herivelto de Almeida

DETALHES DO CRIME – A professora uruguaiana Suzana Petlik, de 41 anos, saiu de sua casa no domingo de Carnaval, em 1994, para ir até sua chácara, que ficava na região do Selmi Dei, tomar sol. Saiu de lá próximo do horário do almoço dizendo aos caseiros que voltaria para sua residência, no Centro de Araraquara, mas isso não aconteceu. Por volta das 14 horas, seu carro foi encontrado queimado em um terreno descampado e o corpo da professora estava do lado, já sem vida.
Segundo os laudos do processo, Suzana foi esfaqueada duas vezes com uma faca de cozinha, mas as perfurações não foram graves. O que matou a professora foi um trauma craniano provocado quando o autor do crime passou com o carro por cima da vítima e sua cabeça foi prensada a um bloco de concreto.
O corpo da professora apresentava ainda inúmeras fraturas provocadas pelo veículo, manobrado sobre ela insistentemente.

O médico Haroldo Petlik é absolvido por júri popular

O médico Haroldo Petlik é absolvido por júri popular

O JULGAMENTO – Durante todo o julgamento foram várias idas e vindas da acusação e da defesa.
A acusação, representada pelo promotor Herivelto de Almeida, disse que havia muitos motivos que levariam o médico a cometer o crime. “O casamento deles era frio, Petlik tinha amantes fixas, corria um teste de paternidade, ele participava de festas com prostitutas, amantes ligavam ameaçando Suzana, além disso, ela teria descoberto o envolvimento de um dos filhos com drogas”, afirma o promotor. “Suzana foi humilhada por Petlik por mais de 15 anos. Em 1979, o médico já tinha um relacionamento extraconjugal”.
Segundo Almeida, o casamento de Suzana estava cercado de problemas e a morte dela foi uma consequência do que acontecia.
O promotor encerrou sua fala reforçando aos jurados que julguem não o pai de família que criou três filhos sozinho, mas o marido que mandou matar sua esposa. “O júri tem que julgar Petlik não como o pai amoroso que criou os filhos sem a mãe. Isso não ajuda a resolver o crime. Ele tem de ser julgado como o marido de 1994. Não foi o pai que contratou o matador, foi o marido”.

Suzana Petlik

Suzana Petlik

DEFESA – Já a defesa foi contundente em constatar o trabalho de investigação da polícia e do Ministério Público (MP). “Não se pode condenar um homem baseado na história que contaram. Tudo na base no ouvir dizer”, acrescenta José Luis Mendes de Oliveira Lima, um dos advogados de Petlik.
“A polícia foi incompetente e montaram uma farsa para incriminar os réus. Se a polícia tivesse trabalhado um pouco mais, o assassino de Suzana já estaria preso”, disse Rodrigo Dall´Acqua, também advogado do médico.
Segundo o advogado, o trabalho da polícia deixou inúmeras falhas. Para se ter ideia, na época, não foi feito exame de DNA na vítima e nenhum exame mais detalhado no corpo. Ainda de acordo com Dall´Acqua, a polícia demorou com as investigações.
Segundo a defesa do médico, o fato de Petlik ter tido relações extraconjugais, não tornam ele um assassino. Além disso, os advogados voltaram a negar o envolvimento do médico e de seus filhos com drogas. “Ele tem sido um excelente pai, prova disso é que dois de seus três filhos seguiram seu exemplo, sua profissão”, diz ele.

Leia tudo sobre o caso:
Petlik é absolvido e Gustavo é condenado pela morte de Suzana
“Não se pode condenar um homem baseado com base no ouvi dizer”
“Ele não era um marido exemplar”
“A polícia foi incompetente e ​montou uma farsa”
Testemunhas confirmam ligações entre os acusados
“Onde Suzana estiver, deve estar orgulhosa de mim”

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