Inaugurado há mais de 50 anos, local faz parte do cotidiano e do almoço de domingo dos são-carlenses
publicado em 29/10/2012 14:52 | Eloiza Strachicini

No km 222 da SP-310, rodovia Washington Luís, uma construção de pedra da década de 50 que ostenta o brasão da família Arruda Botelho (só ele demorou 8 meses para ser executado) se destaca na paisagem. É o Posto Castelo, um dos mais tradicionais da região, que faz parte da história de São Carlos.
Tudo começou com Martinho Carlos de Arruda Botelho, neto do Conde do Pinhal, um empresário visionário que morou durante 30 anos nos Estados Unidos, onde se casou com Yvonne, e trabalhou no ramo de cosméticos. Com saudades do Brasil, voltou para cá e ocupou o cargo de adido comercial do governo Getúlio Vargas. As primeiras lavadoras de roupas que vieram para o Brasil foram importadas por ele. Com tino para os negócios, voltou para São Carlos e viu na pista simples de terra (que pertencia à sesmaria Pinhal e hoje é considerada uma das mais bem conservadas rodovias do país) o canal para o desenvolvimento dessa região do estado. Em 1957, inaugurou então o Restaurante Conde do Pinhal, que contava também com um posto de abastecimento com quatro bombas de combustível (duas de gasolina, uma de diesel e outra de gasolina azul), cuja construção demorou seis longos anos.
Mas cerca de três meses depois que o posto estava aberto, a estrada foi fechada, para seu asfaltamento. Foi um período complicado, pois não chegava um cliente sequer. “Eu brincava de triciclo com meu irmão na estrada de terra. Lembro-me que São Carlos tinha poucos carros, as ruas eram de paralelepípedo e o bonde era o meio de transporte mais usado”, conta o filho dos fundadores, Martinho Alexandre de Arruda Botelho.
Ele afirma ainda que o pai, apesar de brasileiro, pensava como americano e vislumbrava o sucesso do posto a curto prazo, o que acabou não acontecendo. Em 1959, a família retornou aos Estados Unidos e arrendou o posto por alguns anos. Em 1978, aos 27 anos, Martinho Alexandre, com um sócio, Luís Mattos, assumiu novamente os negócios, e o posto, que já se chamava Castelo, iniciou uma nova era.
EXPANSÃO DE TURISMO E LAZER – Sob a Cruz da Ordem de Cristo e com duas inscrições em latim que significam “sob este símbolo vencerás”, o complexo do Posto Castelo conta hoje com 120 mil metros quadrados. Em 1992, foi inaugurado o pátio para caminhões com 60 mil metros quadrados e, em 94, o posto de atendimento exclusivo para caminhões. Mas a parte que mais chama a atenção pela proposta arquitetônica é a Pousada Conde do Pinhal, inaugurada no final dos anos 60 e que foi sendo ampliada ao longo das décadas de 80 e 90. Martinho conta que, por influência do pai, o estilo provençal francês foi tema de inspiração dos detalhes dos 20 apartamentos personalizados que compõem as Alas Europa e América. “Portas e batentes, janelas e peitoris são exclusividade de cada par de pousada, tudo desenhado especialmente, com mobiliário e decoração diferenciados. Na entrada, há um par de cavalos trazidos da Nova Inglaterra que desejam boas-vindas aos hóspedes, e o local é tão tranquilo que às vezes esqueço que estamos à beira da rodovia”, completa.
Faz parte dos planos de expansão em turismo de negócios e lazer do empresário a construção de um módulo de 32 apartamentos, com piscina, quadras esportivas e salões de reuniões e convenções. Em 2010, foi inaugurada a cafeteria de 200 m2, onde antes era um galpão de troca de óleo. “Preservamos e valorizamos as paredes e nossa intenção é modernizar todos os ambientes para melhor atender nossos clientes.”
O restaurante tem capacidade para 400 pessoas sentadas, e aos domingos chega a servir no almoço mais de 1.200 pessoas. Com o apoio e o bom gosto da esposa Junia Marini de Arruda Botelho, Martinho reformou e modernizou os banheiros, com adequações para receber deficientes físicos, mantendo detalhes de arquitetura e com decoração delicada.
Os funcionários são valorizados e incentivados a prosseguir seus estudos. Recebem subsídios para fazer cursos relacionados à sua área de trabalho e as bolsas, dependendo do interesse e participação do funcionário, podem chegar a 100% do valor total. Entre os funcionários está o filho de Luís, Gustavo Mattos.
Também está nos planos do empresário, pai de Alexandre, Daniel e Martinho, a implantação da programação visual do posto, com placas indicativas contando a história desses mais de 50 anos de existência. “Também tenho vontade de criar mais unidades do Posto Castelo, mas por enquanto é apenas um sonho. Para os próximos anos quero melhorar a qualidade do atendimento e dos serviços oferecidos. Estamos trabalhando para tornar os ambientes mais agradáveis para os clientes”, finaliza.

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