A festa de Corpus Christi, realizada desde a década de 30, projetou a cidade nacionalmente
publicado em 13/06/2012 18:37 | Micheli Valala

Um carro de boi saía de Araraquara em direção a São Bom Jesus do Matão, em 1892, conduzindo um cruzeiro que viria a ser o marco zero do Município, em decorrência da construção da Paróquia do Senhor Bom Jesus de Matão, a Igreja Matriz. As terras, com 10 alqueires, foram adquiridas por Theophilo Dias de Toledo – indicado pelos fundadores Américo Franklin de Menezes Dória, João Almeida Leite Moraes, Antonio Machado Campos Barros, Antonio da Silva Coelho, José Bento Filho, Luciano Caduco, Gilberto Pedro Franco, Bellintani Giovanni e Jorge Corrêa. Ele pagou um conto de réis a Antonio Lourenço Corrêa. A cidade, desde sua fundação, foi então marcada pelo catolicismo, religião prevalecente até hoje.
Marcos Antônio Simões Pião, pároco da Matriz, diz que não há números exatos, mas garante que a presença dos católicos na cidade é maciça. “Temos oito paróquias, estimo que 70% da população são católicos, porém, é marcante a presença dos espíritas e evangélicos e todos se respeitam mutuamente.”
O padre diz que para manter os católicos, as igrejas exercem um trabalho intenso com as crianças, por meio da catequese; há a pastoral da juventude e os movimentos envolvendo as famílias e os adultos. “Em todas as paróquias temos uma atividade muito grande também na área social com a distribuição de cestas básicas para famílias carentes e temos o Asilo São Vicente de Paula, comandado pelos vicentinos, que são ligados à igreja católica”, aponta.
CORPUS CHRISTI – O catolicismo de Matão é destaque nacional em virtude da tradicional procissão de Corpus Christi, que, apesar de estar na 64ª edição, foi realizada sutilmente pela primeira vez em 1931 e lançada oficialmente em 1948, e a cada ano a população enfeita mais e mais as ruas da cidade, transformando-as em verdadeiras obras de arte.
No início, as famílias guardavam em segredo o desenho que pretendiam fazer. Os enfeites utilizados eram flores naturais, cartazes eucarísticos pintados no asfalto ou pendurados nos postes. Logo foram acrescentados outros materiais como serragens tingidas, palha de arroz, pó de café e cedrinho, entre outros. Atualmente há a utilização de diversos tipos de materiais
A singela procissão ganhou exposição no cenário nacional em 1962, quando houve a primeira cobertura jornalística da festa de Corpus Christi de Matão, em virtude do prestígio de Lívio Malzoni, um importante e influente fazendeiro, que também era um dos proprietários da Casa Bancária Irmãos Malzoni S/A.
Neste ano a festa tornou-se conhecida nacional e internacionalmente após ser divulgada na revista O Cruzeiro e exibida nos principais cinemas do país. No ano seguinte, a imprensa local registrou a vinda de 10 mil turistas, de 70 cidades, de oito estados. Em 1966, o deputado estadual Blota Jr., secretário de Turismo, conseguiu 2 milhões e 500 cruzeiros em tintas. Nunca houve concurso, mas a cada edição as ruas ficavam ainda mais belas. Este ano recebeu em torno de 70 mil visitantes rotativos e a simples procissão transformou-se numa verdadeira festa cristã. Artistas e voluntários aplicam mais de 70 toneladas de materiais na confecção dos desenhos, formando o trajeto da procissão, que se estende por 12 quarteirões.
 

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