Segundo o CPP, piso para 40 horas na rede municipal é de R$ 2,6 mil, nas estaduais vai de R$ 1,8 mil a R$ 2.088
publicado em 04/04/2013 08:44 | Agência Estado

Deficiências nas condições de trabalho, baixa remuneração, problemas na infraestrutura das escolas e existência de muitos professores com contratos de trabalho temporários são algumas das dificuldades enfrentadas pelos docentes da rede estadual de São Paulo, segundo quatro entidades de classe consultadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. De acordo com os sindicados, essas questões têm relação direta com a ausência dos docentes, problema também considerado “grave e prejudicial à educação” pelas entidades.

O valor da hora-aula recebida pelo docente da rede estadual, em torno de R$ 9, é um motivo que justifica a ausência do professor. É o que afirma José Maria Cancelliero, presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP) - entidade que possui mais de 100 mil associados. "Se ele é do bairro de Santana (zona norte) e tiver de dar uma aula em São Miguel Paulista (zona leste), ele já gasta duas conduções. Muitas vezes não compensa, e como ele não tem concorrente, não será substituído por nenhum outro professor”, afirma Cancelliero.

Segundo o CPP, enquanto o piso para 40 horas na rede municipal é de R$ 2,6 mil, nas escolas estaduais vai de R$ 1,8 mil (anos iniciais do fundamental) a R$ 2.088 (anos finais e ensino médio). Os valores variam de acordo com a formação do docente.

Com esses salários, não faltam exemplos de professores que chegam a dar aula em até três escolas, diz Neli Cordeiro, presidente do Apase, sindicato dos supervisores. “Eles peregrinam. Dar aulas em mais de uma escola torna a atividade ainda mais desgastante”, diz Neli.

O déficit de professores também é alvo de críticas. “Não é que eles faltam, o problema é que faltam professores”, afirma Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp, o sindicato dos professores da rede estadual. Segundo ela, existem alunos que nunca tiveram aulas de física, química ou biologia com educadores com formação devida nas respectivas áreas. “Quem dá aula são professores de disciplinas afins”, afirma Maria Izabel.

No ano passado, Jennifer Santos, de 15 anos, então aluna do 1.º ano do ensino médio da escola estadual Roberto Mange, na zona sul da capital, não teve aulas de química. “A professora ficou de licença duas vezes, depois deixou de ir. Todos os dias que tínhamos aulas de química, saíamos mais cedo. No final, todo mundo passou, sem ter feito nenhuma prova”, diz Jennifer.

Neste ano, a aluna enfrenta mais problemas. “Não tenho professora de português. Ela abandonou as aulas. Nem de sociologia”, diz a jovem. O regime de contratação é outro agravante, dizem as entidades sindicais. No Estado, são quase 35 mil docentes temporários. Todos essas questões têm relação com a falta de atratividade da atual da profissão, afirma Francisco Antônio Poli, presidente do Udemo, o sindicato que representa os diretores de escolas. “A pergunta hoje é: quem quer ser professor? A resposta é: o idealista, ou aquele que não tem outra opção”, diz Poli. Ele sugere uma maior participação dos pais na escola para amenizar os problemas das faltas dos professores.

Sobre a suposta superlotação de alunos nas aulas, a Secretaria Estadual de Educação informa que em mais de 60% das classes a média de alunos é inferior a 40 estudantes. À respeito do salário, a pasta explica que o valor repassado aos anos finais do fundamental, por exemplo, ultrapassa em 33% o piso nacional. O Idesp, índice que mede a qualidade da educação no Estado, caiu de 2,61 em 2011 para 2,59 no ano passado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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